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11/05/19 às 13h14 - Atualizado em 11/05/19 às 13h14

De mãe para filha: a paixão por ensinar

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Aldenora Moraes, Ascom/SEEDF

 

Um provérbio judaico afirma que uma mãe é capaz de ensinar mais do que 100 professores. Isso seria verdade? Rita de Cássia Mesquita, professora de Atividades, da Escola Classe 20 de Taguatinga, concorda plenamente “como mãe e professora”, diverte-se.

 

Sua filha, a também pedagoga Naryane Mesquita Rincom, que atua na Escola Classe 50 de Taguatinga, acredita que se trata da mais pura verdade “o aluno pode estar com uma professora por um ano, mas será filho a vida inteira”, destaca.

 

Dos tempos de criança em Pires do Rio (GO), onde nasceu, Naryane se lembra que, ao acompanhar a mãe na escola, ela já previa “você tem jeito com criança”. O tal jeito pesou na escolha, quando foi fazer vestibular e teve que se decidir entre dar aula de Biologia ou Atividades. “Eu já sabia que seria professora e achei que seria mais realizada trabalhando com crianças. Entrei na faculdade de Pedagogia, me apaixonei e nunca mais saí”, rememora.

 

Foto Luis Tavares, Ascom/SEEDF

Questionada sobre a influência da mãe na escolha, ela confessa: “eu via muito a dedicação dela, o quanto ela gostava e queria isso para mim, também”, afirma Naryane.

 

Nascida em Urutaí (GO), Rita de Cássia atuou primeiramente como secretária escolar, fez curso técnico de Magistério e depois cursou a faculdade de Pedagogia para atuar como professora de Atividades. A educação faz parte de sua vida, desde 1993, enquanto Naryane passou a lecionar, a partir de 2010.

 

Embora sejam de gerações diferentes, os problemas destacados por mãe e filha em sala de aula são próximos. Rita de Cássia relembra a época em que passou a lecionar e cita o relacionamento com os pais dos alunos, como o aspecto mais difícil que teve que lidar. Por sua vez, Naryane também cita os pais, como um desafio atual “aparentemente alguns pais estão presentes, mas, no fundo, são ausentes. Estão sempre nas redes sociais, no telefone e muitos não possuem tempo para estar com os filhos”, lamenta.

 

Para ajudar nessa questão, a EC 50 de Taguatinga desenvolve o projeto Bate-papo Familiar, realizado bimestralmente e com palestras sobre temas atuais. A última edição contou com um psicólogo que conversou sobre o uso excessivo das redes sociais pelos pais e estudantes.

 

Questionada sobre o fato da filha ter seguido os mesmos passos profissionais, Rita de Cássia admite que deve tê-la inspirado porque a paixão sempre norteou seu trabalho. Admiradora de Rubem Alves, a docente destaca a pedagogia do amor diante dos desafios enfrentados em sala de aula. “Isso me inspira a olhar para uma criança ‘difícil’ de maneira diferente”, destaca.

“Eu sempre sonhei em ser mãe”

Naryane tem um casal de filhos e sempre sonhou em ser mãe. “Cada ultrassom era uma festa, os dois foram muito desejados”, enfatiza. Sua mãe também sonhava com a maternidade. “Tive como modelo a minha mãe, que era uma mãezona. Fui uma criança muito amada”, emociona-se.

 

Mesmo preocupada com a crescente desvalorização do professor, Rita de Cássia acredita que “o magistério é uma profissão que está ligada ao amor, à paixão pelo que se faz, há algumas profissões que você até desempenha por uma boa remuneração, mas com o magistério não é assim”, defende.

 

Sua afirmação é confirmada por Naryane “vemos que muita gente, por falta de oportunidade, migra para a educação e há muitos profissionais despreparados atuando nas escolas. Dar aula é realmente uma vocação, nem todo mundo consegue. É preciso muito amor e estudo”, acredita.

Um coração capaz de amar infinitamente

Muitos poetas cantaram sobre a maternidade. Vicente Celestino imortalizou o amor de uma mãe, na canção Coração Materno, ao narrar a história trágica do filho que atende ao pedido de sua amada. O relato descreve o amor de mãe, que resiste até o último suspiro.

 

Em Trem das Onze, Adoniram Barbosa revela uma máxima vivenciada por muitos:“minha mãe não dorme, enquanto eu não chegar”.

 

Na contemporaneidade, pedimos ao poeta brasiliense João Doederlein para homenagear as mães com um dos seus mais famosos poemas. Das reminiscências da infância, quando era ensinado pela mãe a acreditar nos próprios sonhos, chorar sem medo e ser ele mesmo, o @akapoeta, autor de Coração-granada e conhecido por suas definições poéticas, cujo público ultrapassa 1,1 milhão de seguidores no Instagram, não se fez de rogado, quando o desafio foi definir aquela cuja maior lição é ensinar a amar. Com a palavra, o poeta:

 

Mãe (s.f.)

termo usado para designar um coração capaz de amar infinitamente. É sentir por dois, sorrir por dois, sofrer por dois, é dar o melhor de si, duas vezes. é aquela que cura com um abraço. que sara machucado com um beijo.

aquela quem deu à luz amor.